sábado, 26 de março de 2011

Jumbler



Estava procurando uma nova foto para colocar como papel de parede no meu computador e acabei escolhendo a do Jumbler. Ele foi um cão da raça Fox Terrier que ganhei há muito tempo atrás do Paulo Armando, um amigo que trabalha com meu pai há anos.

Infelizmente, na época eu e acho que todos lá em casa não tínhamos a consciência  e conhecimento que temos hoje sobre os cuidados que devemos ter com os cães e principalmente, o carinho com eles. Sem falar que eu era uma criança entre 10 e 12 anos aproximadamente.

O nome dele, foi escolhido em conjunto com a minha mãe, porque ele era um tremendo de um bagunceiro e muito agitado, características de um terrier. Lembro de algumas peripécias dele como destruir o sofá porque estava brincando com uma batata que ele roubou da cozinha, sempre pular em mim e me arranhar todo, sempre conseguia de alguma maneira driblar nossas barreiras para que não fosse para o terraço da casa em que morávamos e depois eu descobriria que eu deveria ter tido mais cuidado sobre isso, mas também tivemos bons momentos de brincadeiras no quintal de casa e de apoio moral. Me lembro de uma vez que fiquei sozinho em casa, meus pais e meu irmão mais demoravam para chegar. Como já anoitecia e me sentia sozinho demais, abri a porta da cozinha e deixei a Pig (vira-lata do meu irmão), a Samanta (uma dalmata da minha mãe) e o Jumbler entrarem em casa para ficarem comigo assistindo TV.

Sempre cuidamos bem dos animais lá de casa, mas não passeávamos com eles e hoje, acho que brincávamos muito pouco, mas isso tudo por desconhecimento da necessidade deles naquela época. Mesmo assim, com o tempo, dávamos a atenção do nosso jeito. No meu caso, pela manhã, sempre jogava um pão duro para eles de manhã antes de sair para a escola e quando voltava, o chamava para fazer um pouquinho de carinho ou só para ver como eles estavam, até que um dia em 1994, se não me engano, quando voltei e chamei o Jumbler, ele não apareceu. Então fui procurá-lo. Normalmente ele fugia para o terraço e ficava lá por cima, mas desta vez nada! Ele tinha fugido! Na época, minha mãe disse que uma vizinha do prédio ao lado disse ter visto ele pulando do terraço e saído correndo pela garagem do prédio e fugindo pela rua. Não lembro ao certo, mas acho que tentei procurá-lo na vizinhança, mas era tarde demais.

Até hoje, sinto muito por esta falta que eu tive com ele. Talvez se estivesse mais próximo e cuidado dele com procuro cuidar da Alba e da Clara, isso não tivesse acontecido. Porque ele fugiria se gostasse de onde estava e de seu dono? Não consegui formar este laço, eu acho. Hoje, mesmo que tenha encontrado um lar, provavelmente ele já deve estar morto, pois teria em torno de 18 anos, uma idade muito avançada para um cão, mas mesmo assim, sinto sua falta e culpa por achar que faltei aos cuidados necessários e adequados com ele, apesar, de ter certeza que ele nunca foi maltratado enquanto esteve conosco, lá em casa.

Ao ver esta foto, vem em minha memória todas estas e outras recordações da época em que vivemos juntos, pena que ela foi curta. Eu não soube aproveitá-la.

A Alba e a Clara, são West Highland White Terrier. Quando eu e Patrícia resolver escolher um cão, minha primeira opção (mesmo que não tivesse contado à ninguém) sempre foi ter um fox terrier, para superar o meu passado, mas ter um fox terrier dentro de um apartamento nunca me pareceu apropriado, então pensei em um maltês, mas quando a opção dela foi a do Westie, como são chamados, e descobri que também eram terriers, não pensei duas vezes.

Agora, olhando, mais uma vez a foto, a Clara com aquela carinha de moleque safado, que está sempre aprontando, lembra ele. E apesar de, hoje, ter a Alba e da Clara, o Jumbler, jamais será esquecido.

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