Nesta semana todos os jornais falam do atentado terrorista no editorial do jornal Charlie Hebdo, em Paris. Este jornal, de baixa circulação na França, costuma publicar charges e cartoons de humor negro, não se importando com o Papa, muçulmanos, comunistas, judeus e outros.
A idéia não é falar sobre o atentado em si, que é cruel e sou contrário a violência. O que me questiono, é sobre a questão da liberdade de expressão e da imprensa nos dias de hoje. De antemão, não sou contrário a esta liberdade, apenas me pergunto se a liberdade de expressão não entra em conflito com o respeitar o próximo. Será que todos os representados nestas charges ficam satisfeitos?
Alguns anos atrás li o livro "A Arte da Felicidade - Um Manual para a aVida da Martins editora", que traz ensinamentos e a experiência de vida do Dalai Lama e um dos ensinamentos que sempre trago comigo e sempre procuro seguir é que não devemos alegrar diversas pessoas em detrimento da alegria de um indivíduo. Justamente, o que pode entrar em conflito com a liberdade de expressão.
Será que nestes dois casos, os muçulmanos e o líder norte-coreano se sentiram felizes e alegres com as críticas? Os seres humanos, independente de sua religião, nacionalidade, classe social, cor, etc. estão preparados para receber estas críticas?
Já li material, para treinamento de relacionamento interpessoal, o qual expunha que devemos relevar situações ou até agirmos com certa hipocrisia para mantermos o bom relacionamento com amigos, familiares, chefes, colegas de trabalho e etc.
Existe o empresário que reclama do mendigo, que deveria estar trabalhando, pedindo dinheiro no sinal, mas ele daria emprego para um mendigo?
E aí me pergunto se ao fazer críticas a pessoas ou povos não preparados para receberem estas criticas, não podemos receber retaliações ou assinando um termo para que seja o feito o mesmo consigo mesmo? Quando chegar nossa vez, estaremos preparados para tal crítica? É o conhecido ditado de quem possui telhado de vidro não atira pedra no telhado do vizinho.
Sou contrário ao terrorismo, abomino quem planejou e realizou o atentado na França, como qualquer outro atentado, crime, guerra ou qualquer hostilidade como a ventilada pela Coréia do Norte ou EUA;
Sou favorável a liberdade da imprensa;
Mas tenho medo quando vejo charges ou filmes como o "A Entrevista", pois não sei como outras pessoas receberão aquela crítica e se os autores estarão vulneráveis. Talvez seja o preço da democracia, criticar e sofrer atentados ou simplesmente, o ser humano deturpou tudo.


